quarta-feira, 27 de agosto de 2025

múltiplas PoÉticas

 amor de telenovela

 

amei uma mulher que não era

mas era como se fosse

como se fosse terra

como se fosse água

como se fosse fogo

como se fosse ar

como se fosse mata

como se fosse mar

como se fosse céu

como se fosse chuva

como se fosse chão

 

não era uma vera ficher

mas era como se fosse

não era débora secco

mas era como se fosse

nem era carolina dickman

mas era como se fosse

não era nicole kidman

mas era como se fosse

nem marieta severo

mas era como se fosse

 

não era uma imperatriz

mas o nosso castelo

era como se fosse

mas minas do rei salomão

amei essa mulher feliz

que era como se fosse

atriz de televisão 

 o  alvo do poeta é a meta

 

nem todo poema curto

nem todo endereço acerto

a meta do poeta é o alvo

o alvo do poeta é a meta

 

a flecha estendida no arco

o arco estendido pra seta

eu quero teus olhos de vidro

não poema em linha reta

 

nem toda cidade prova

nem todo poema povo

a clara da gema nova

pode estar dentro do ovo

 

a massa e o biscoito fino

o biscoito fino na massa

o Dia D da fornalha

acende fogueira na praça

 

todas as noite sonho

como esse nosso amor

dandara

como se fosse odara

carnaval em fevereiro

como se eu fosse

o primeiro

a tocar tua carne a vera

e o gozo desse sagrado

nada em nós fosse quimera

 

escridura

 

esse poema absurdo

direto no ouvido do surdo

escridura nos olhos dela

 

ela bem sabe o que desejo

ela bem sabe o que espero

tem canivete no sangue

 

tem alfinete entre os dentes

a faca que cora – a navalha

sangrou as tripas no ventre

 

o beijo se for que seja

com a língua lambendo a carne quente

 

vamos meu amor

fortalecer a parceria

reinventar os guetos

nas marés das tempestades

nos vendavais na ventania

ressuscitar as arte manhas

como antes se fazia

com explosão de poesia

 

malditos bem-ditos

clic no link para ver ArturGomes

interpretando Paulo Leminski e Torquato Neto

https://www.facebook.com/studiofulinaima/videos/285806788962850

    cachorrada em família

 porra Dolly esta cachorra está no cio deixa Branco alvoroçado pula tanto e quase arranha minha teia de aranha fica louca na parede trepa na lagartixa a caça de mosquitos uma semana que não chove minha hortelã tenho que molhar todo dia além da grama e dos lírios presente do Joilson Bessa – estou puto percebi agora que o cara da capina capinou meu pé de pitanga e nem terminou a empreitada que era para ser terminada ontem – Dolly e Branco mãe e filho mas cachorros que não são humanos não respeitam isso e querem trepar de qualquer jeito – e Dolly é tão cachorra que tivemos de castrar depois que pariu Federika, Branco, Mel e Mallarminha – ainda bem que agora pela manhã a chuva veio para molhar as plantas e apagar o cio

 

EuGênio Mallarmè

Estação 353

https://www.facebook.com/carnavalha/

 


pedras no meio do caminho

 

pedra punk

pedra dark

pedra tanque

pedra parque

 

pedra de toque

pedra de blues

pedra de rock

 

fado

tango

samba-enredo

 

pedra poema

no meio

dos meus dedos

                          flor de maio

o vento bate na cortina branca
Ana nem sabe como olho
pela fresta da janela
as tuas costas nua
na linha do horizonte

atravesso a ponte
do teu tempo infindo
como um dia vindo
como flor de maio

Ana como um raio
no punhal de carne
que me arde os pulsos
e me queima as mãos

enquanto cato o sangue
que escorreu no chão

                  O poeta enquanto coisa

Cristina Bezerra me disse
que trepo no corpo
das palavras
na desconstrução da normalidade
dos seus significados

o poema é um jogo de dedos
um lance de dados
e o poeta enquanto coisa
é mediúnico
amoral em sua estética

na transa poética
tudo o que sai do corpo
é o que já foi incorporado

27 de agosto
com muito gosto
fazer setenta e sete
outra coisa me disse
fulinaíma
pra definir o que faço
o traço a cada compasso
pensado sentido vivido
estando inteiro
não par/ti/do
a língua ainda
entre/dentes
a faca
ainda mais afiada
a carNAvalha in/decente
escre/v(l)er
é tudo o que posso
pra desafinar os contentes
desempatar de/repente
o jogo dos reles bandidos
é tudo o que tenho feito
por mais que tenha sofrido
nas unhas dos dedos
nos nervos
na carnadura dos ossos

Artur Gomes

Hoje Balbúrdia PoÉtica especial
no Carioca Bar - Rua Francisca Carvalho de Azevedo, 17
Parque São Caetano - Campos dos Goytacazes-RJ
Espero vocês lá, a partir das 18h

leia mais no blog
Artur Fulinaimagens
https://fulinaimargens.blogspot.com/


terça-feira, 26 de agosto de 2025

o poeta enquanto coisa

federika com seus mistérios

molha meu cio em silêncio

:

Ou na desordem do Dia

 

corisco risca a faca na pedra

mas federika não medra

desafia o dito cujo

a ser maior que a morte

escrever poema sujo

e ser melhor do que fedra

na amarelinha da sorte

 

quando  desgarrou da tribo dos goytazes

e foi parar em Itabuna

o corpo mais leve que pluma

em pleno ar levitava

quebrou  a faca do corisco

enquanto nos ares voava

 

cansada da preguiça baiana

picou a mula pra recife

praia da boa viagem

com gana de vida feroz

se dentro da noite é veloz

no olho do dia é voragem

em plena vertigem do dia

 

com seus cardápios de arte

enfeitiçou  pernambucos

grafites por toda parte

por bares e restaurantes

estampados em  seus   guardanapos

com grande  voracidade

 

eleita musa da praia

descobriu cedo na tarde

que tudo que arde cura

o que aperta segura

na preamar quando agita

se é amor geme e grita

mesmo não sendo loucura

 

relembro que anos passados

antes dos dezessete

ela se misturou ao campistês

nos corredores do cefet

teve aula de português

com o poeta da quadrilha

que levava um boi pintadinho

nas fulinaimargens da trilha

 

federika amava federico

que amava boudelaire

que amava euGênio mallarmè

que amava lady gumes

que amava pastor de andrade

que amava serAfim

que amava rúbia querubim

dos cabelos negros como corvo

que foi morar em iriri

depois do amor o  estorvo

 

em recife montou seu reinado

e alimentou a matilha

de boêmios embriagados

em  noites de salsaparilhas

com frevo maluco rasgado

pensando sonhar  morar em sevilha 

 

hoje nesse recife distante

 rio que nos separa

como palavra cilada

como poema armadilha

mas nunca contou para a filha

tudo o que  ainda guardo em segredo

 mas já cantou  paro o mar  

e pras algas sal/gadas da ilha

 

Artur Gomes

In Drummundana Itabirina

V(l)er mais no blog

https://fulinaimargem.blogspot.com/



 

hoje é domingo
de Hera me vingo
com minha sarcástica ironia

fisto-me de Dionísio
nessa festa pras Bacantes

me consagro teu amante
pelos vinhedos de Baco 
no ápice sagrado

da  su-real pornofonia

entre os lençóis

 

o outubro 
me deixou no tudo nada 
a luz branca sem sono
em nossos corpos de abandono

ela arquitetava uma nesga
entre as frestas da janela
luz do luar nos olhos dela
girassóis em desmantelos
por entre poros entre pelos
minhas unhas tuas costas 
Amsterdã nos teus cabelos 

o que Van Gog me trazia
era branca noite de outono
que amanheceu sem ver o dia 
nossos corpos estavam banhados
de vinho tinto e poesia 

fonética das cores

3 dentadas no pão e a faca suja de manteiga entreguei-me ao desejo de olhar o corpo do poema nu ainda virgem deitado sobre a grama no quintal do casario no cafezal rolava um blues vestido de algodão branca flor entre as sílabas tônicas e a fonética das cores entre o vão das coxas brancas de alfazema sopravam ventos de alecrim

poema atávico

 

e se a gente se amasse uma vez só
a tarde ainda arde primavera tanta
nesse outubro quanto
de manhãs tão cinzas

 

nesse momento em Bento Gonçalves
Mauri Menegotto termina
de lapidar mais uma pedra 
tem seus olhos no brilho da escultura

 

confesso tenho andado meio triste
na geografia da distância
esse poema atávico tem

a cor da tua pele
a carne sob os lençóis

 onde meus dedos
ainda não nasceram

 

algum deus

anda me pregando peças
num lance de dados mallarmaicos

comovido
ainda te procuro em palavras aramaicas 
e a pele dos meus olhos anda perdida
em teu vestido

Projeto Arte Cultura

domingo, 24 de agosto de 2025

Jura Secreta

Balbúrdia PoÉtica

 

Federico rasgou a rede

cortou a censura

colocou a dita/dura

                     na parede

 

poesia ali na mesa

geleia geral – relâmpagos

faíscas da surpresa

 

diariamente no blog

https://fulinaimagemfreudelerico.blogspot.com/


XXIII Congresso Brasileiro de Poesia - 25 Anos

De 5 a 10 de Outubro - Bento Gonçalves-RS

Artur Gomes e May Pasquetti se encontram no palco pela 10ª vez no Congresso Brasileiro de Poesia, em Bento Gonçalves-RS

Tudo começou em 2006 quando Artur Gomes, dirigiu no CEFET Bento, uma Oficina de Poesia Falada para montar com estudantes de Bento Gonçalves um recital em comemoração ao centenário do poeta gaúcho Mário Quintana.

May Pasquetti, que além de uma bela atriz é hoje doutoranda em bioquímica na UFRGS, foi uma das alunas selecionadas para o recital, e a partir de então, se tornou, como afirma o próprio poeta, sua grande parceira de palco.

Artur Gomes afirma que May Pasquetti é a grande intérprete de seus poemas, e como musa o inspirou a escrever esta sua

 Jura Secreta 16.

 fosse essa menina Monalisa

e se não fosse apenas brisa

diante dos meus olhos

com este mar azul nos olhos teus

nem sei se Michelângelo,

DaVinci, Dali, ou Portinari

te anteviram no instante

maior da criação

pintura de um arquiteto grego

ou quem sabe até filha de Zeus

e eu Narciso amante dos espelhos

procuro um espelho em minha face

para ver se os teus olhos

já estão dentro dos meus

 O poema foi escrito em 2006, durante a semana de realização do XXIV Congresso Brasileiro de Poesia, e May Pasquetti, diz que - este é o maior presente que uma musa poderia receber de um poeta. Me emociona até hoje.

Este ano, no XXIII Congresso Brasileiro de Poesia, poeta e musa estarão juntos durante a semana, na performance SagaraNAgens Fulinaímicas, que acontecerá em diversos momentos e em diversos pontos da cidade, com algumas surpresas que os dois fazem questão de manter em segredo.

 - É jura secreta - afirma Artur Gomes

no link abaixo

May Interpreta poemas de Artur Gomes, filmada por

Jiddu Saldanha, em Bento Gonçalves-RS - outubro de 2011

https://www.youtube.com/watch?v=NwPHFegj_9c

BARDO Solista

 marginalha

 

os caranguejos explodem no meu crânio

mariposas pousam mas não cantam

borboletas voam mas não falam

os papagaios estão mudos

desde o grito de Cabral: o Terra à Vista!

a amazônia é exterminada por moto-serras ruralistas.

mas juro que não sou correto

juro que não sou decente

poesia é faca entre os ossos

navalha entre os dentes

desde todo tempo as milícias

des(matam) nas favelas

e todo Dia é Dia D Todo Dia É Dia Dela

vivo num brasil subvertido

na cadeia esteve preso um presidente

e os palácios são os covis desses bandidos.

 

Artur Fulinaíma

Juras Secretas - Editora Penalux – 2018

Pátria A(r)mada - Editora Desconcertos - 2019

O Poeta Enquanto Coisa – Editora Penalux- 2020


Intervenção junina

 

era uma noite de junho

inverno não primavera

e eu de poema em punho

fazendo cantigas de amor para ela

mas ela não veio me ver

do outro lado da janela

era uma moça distante

que eu chamava  FlorBela

 

quantas noites sonhei Florbela

em minha cama sozinho

pensando na cama dela

bebia beijos e vinho

era uma vez uma rua

que tinha nome de formosa

não era grande sertão

nem eu era Guimarães rosa

 

mas era noite de junho

e mesmo assim

me sentia um riobaldo

amando diadorim

como se fosse lua cheia

clara como clarão

ela toca fogo em minha pele

incendeia meu coração

 

e 24 de junho

é noite de são joão

e meus fogos de artifícios

são pra chamar sua atenção

a moça que nunca veio

do outro lado da janela

não sabe que é tudo dela

meu céu meu mar meu chão

 

Artur Gomes

www.fulinaimicamente.blogspot.com

cantiga para não morrer

Quando você for se embora

Moça branca como a neve

Me leve 

Se acaso você não possa

Me carregar pela mão

Menina branca de neve

Me leve no coração

Se no coração não possa

Por acaso me levar

Moça de sonho e de neve

Me leve no seu lembrar

E se aí também não possa

Por tanta coisa que leve

Já viva em seu pensamento

Moça de sonho e de neve

Me leve no esquecimento

Ferreira Gullar

Drummundana Itabirina : Por Onde Andará Macunaíma?

Nas Encruzilhadas do SerAfim                                   Herbert Emanuel, poeta e integrante do Tatamirô da Poesia * Entre as pedras ...